sexta-feira, setembro 30, 2005

Mosaico de gente

O nariz é da mãe
A mão, o pé, a boca e a orelha do pai
A cor veio na sorte
E esse queixinho, que até furo tem, saiu de onde??

quarta-feira, setembro 28, 2005

Da série “Ser mãe é...”

Você passa o tempo todo torcendo para ele dormir, para conseguir enfim tomar banho, comer, ler os jornais, dar uma olhada na internet, fazer um telefonema.

Aí ele dorme.

Você, rápida, toma banho, come, abre os jornais e... vai para a beiradinha do berço pedir: “ei, dá para acordar que eu estou morrendo de saudade?!”

terça-feira, setembro 27, 2005

Padecer no paraíso




Não sei se vcs já assistiram um episódio de Desperate Housewives, em que uma das protagonistas está exausta por conta dos filhos gêmeos (capetíssimos) que tem em casa. Acabada, ela entrega os pontos e admite às amigas que não está dando conta. Solidárias, as amigas – mães experientes – entendem perfeitamente a situação e ensinam a ela um segredinho: dar um calmante inofensivo para os guris, para fazê-los diminuir o ritmo e ela poder acompanhá-los. Bom, o resultado é tão positivo que ela, a mãe, acaba viciada no tal remedinho que lhe salvou a vida.

Por que estou contando essa história? Porque passei a vida toda jurando que criaria filho sem nenhuma dessas muletas (chupetas, calmantes naturais, berço no quarto, menino dormindo na nossa cama e por aí vai). Eu, que seria a mãe perfeita, faria tudo do jeito mais correto e natural possível. Com conversa, disciplina, exemplos... enfim, conto da carochinha.

Com um bebê de menos de 20 dias em casa já percebi que as coisas simplesmente não são tão controláveis assim. Aliás, controle definitivamente não existe nessa situação. Como controlar as vontades e horários de um serzinho que mal enxerga o que está acontecendo à sua volta? Estou morta de cansada, sem dormir há duas semanas, meio perdida, sem saber nem mesmo como organizar as tarefas de uma manhã... Não é lenda, quando mães contam que chegam ao fim do dia sem ter conseguido sequer pentear o cabelo, é a mais pura verdade.

Daí, como não apelar para todas as muletas? Uma chupetinha para tentar acalmá-lo durante a madrugada – depois de cinco noites em claro – e toda a casa poder dormir umas poucas horinhas. Deitá-lo na cama, ao seu lado, já que tudo que ele quer é colo e o vc está com tanto sono que começa a ter medo de dormir com ele nos braços. Amamentar antes mesmo de colocar a fralda, só porque não agüenta mais ouvir aquele chorinho sentido de cortar o coração. Dar banho em apenas uma posição – ainda que não seja a mais fácil e prática – simplesmente porque ele adora e até brinca com a espuminha da água.

Então, deixo aqui minha solidariedade (e até um pedido de desculpas) a todas as mães que apelaram para alguma “ajuda externa”. A missão, ainda que doce, é muito mais difícil do que eu, solteira e arrogante, imaginava...

quinta-feira, setembro 15, 2005

Sorte na vida



Esse post é só para agradecer o marido maravilhoso que tenho ao meu lado:

Lindo, quando eu ouvi esse poema de vc a primeira vez, soube que vc era O CARA. Ouvi-lo outra vez ontem foi apenas a confirmação do que para mim já era fato. Te amo mais do que tudo nesta vida.


Leilão de jardim

Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão.)

Cecília Meireles

quarta-feira, setembro 14, 2005

De cortar o coração...

Alguém pode me dizer como uma pessoinha de apenas quatro dias de vida pode sofrer tanto com cólicas?!?

Ass: Uma mãe desesperada.

terça-feira, setembro 13, 2005

E foi um parto...



Bom, prometi os pormenores, aqui vão eles:

Eu queria que o parto do Miguel fosse normal. Beleza. Esperava ansiosamente pela hora “de Deus” para ele nascer. Daí tive de fazer um ultrassom de rotina e lá descobrimos que eu estava com pouco líquido amniótico. Deixando de lado a parte técnica, o exame foi mais ou menos assim:

Médica: “É, Miguel está ótimo, sangue circulando direito, mas vc está com pouco líquido”
Eu: “Ah-han. Quer dizer que ele vai nascer logo?”
Médica: “É... Crescimento dele ta normal, tamanho bom, órgãos vitais funcionando bem... mas vc está com pouco líquido, está vendo alí?”
Eu: “Ah-han. Que bom, quer dizer que ele vai nascer logo”
Médico: “Paola, acho que vc não está entendendo. Talvez precisaremos fazer uma conduta ainda hoje”
Eu: “Conduta? Que conduta?”
Médica: “Vamos fazer o seguinte: Miguel ta bem, a gente faz a cesárea amanhã. Oito horas no hospital ta bom para vc?”
Eu: “O QUÊ?!????!!!!!!!?!!?!!?!



Gente, vcs não têm idéia do que eu passei. Foi uma mistura de alívio por saber exatamente que dia meu bebê iria chegar e um verdadeiro pânico de cirurgia. Eu, que nunca levei um ponto na vida, que só conhecia anestesia de dentista, ir para um hospital, abrir a barriga e tudo mais?! Eu tinha certeza de que não sobreviveria.

Bom, sobrevivi, né? Na verdade foi tudo rápido, simples e tranqüilo. Cheguei às 7h10 no hospital e às 7h40, mal tinha terminado de preencher a ficha, já estava de camisolinha, sendo levada para o centro cirúrgico. Quando comecei a perceber que estava numa maca, cercada de mil aparelhagens que só conhecia por E.R., Scrubs e Grey´s Anatomy, comecei a entrar em pânico. Mas aí chegaram médicos, anestesistas, enfermeiros e meia hora depois, o meu lindinho vinha ao mundo. E vamos combinar, ver aquele serzinho todo sujo, ao meu lado, acompanhado do Cris com o maior sorriso... foi impagável e me deixa com lágrimas nos olhos até agora.

O resto vcs já sabem. Miguel nasceu lindo e saudável. Só queria registrar mais duas coisas.

Primeira: balela essa história de marido te acompanhar na cirurgia. Marido acompanha nascimento de filho. Eu lá, jurando que teria a mão do meu lindo para segurar nos momentos de maior tensão, fiquei completamente abandonada! Marido só queria saber do Miguel. Tudo bem que foi graças à filmagem dele que eu consegui ver a medição, pesagem, banho, choro, corte de umbigo... Mas que deu uma carênciazinha lá na sala de cirurgia, deu.

Segunda coisa: ninguém merece equipe médica tranqüila em sala de cirurgia. Eu lá, barriga aberta, tremendo que nem uma louca por conta da anestesia (e do medão também), e as duas obstetras, junto com a enfermeira, na maior conversa de comadre. Era um tal de reforma de cozinha para lá, encontro com a vizinha da tia de fulano para lá... De quebra, todas na sala estavam grávidas. Pelo menos isso rendeu ao Miguel um encontro futuro, com a Mariana, que chega ao mundo em fevereiro...

É isso. Mais tarde conto o drama do primeiro banho e o desespero da primeira cólica.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Miguel nasceu!!




Bom, essa é uma passada rápida por aqui, apenas para dizer que está tudo bem, estamos bem e, como já sabíamos, Miguel é lindo!!!

Ele nasceu no sábado, dia 10 de setembro, às 8h08. Precisei fazer uma cesárea meio de urgência, porque estava com o líquido reduzido (ok, esqueçamos a parte técnica...). O importante é que deu tudo certo, meu bebê chegou com nada menos que 3,940 kg e 51 cm – daí a explicação para o tamanho da minha barriga. Tive alta do hospital no domingo mesmo e desde então estou dentro de um verdadeiro tsunami. Caramba, primeiro filho devia vir com manual de instrução, curso de treinamento de guerra e reforço de um pelotão inteiro para ajudar!

Mas se vc morre de cansaço, renasce a cada novo toque dele, a cada piscadinha, a cada cheiradinha que dá naquela coisa minúscula e absolutamente linda que saiu de vc. É simplesmente indescritível. Não dá mesmo vontade de fazer mais nada. Duas horinhas a mais que ele passa dormindo e eu já estou morrendo de saudades...

Então, por isso, to indo embora. Ver o meu mais novo lindo. Aos que moram na cidade, sintam-se à vontade para vir nos visitar. Aos que não moram, aí uma boa oportunidade de vir a Brasília!!

Beijos em todos e em breve conto os pormenores e as novidades.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Mãe à beira de um ataque de nervos!




Bom, eu nem vou dizer nada.

Basta vcs conferirem ali em cima quantos dias faltam para o Miguel chegar para terem uma idéia de como anda ansiosa e estressada. Definitivamente, mulheres clinicamente ansiosas deveriam ser proibidas de engravidar. Ou então, deveriam receber, por lei, tratamento gratuito de ioga, natação, acupuntura, massagem, meditação, florais de bach...

Enfim, estou aqui, tão estressada que nem consigo escrever no blog. Me sinto meio no meio de um clip da MTV: uma profusão de imagens e sons que se repetem, se sobrepõem e se confundem. Parto, dor, bebê, hospital, contração, sangue, remédio, barriga, bochecha gordinha para beijar, noite sem dormir, filho no colo, mais dor, maternidade, peito, leite, choro, colo, remédio...

Mas, é claro, vai passar. Afinal, há bilhões de anos mulheres têm filhos por aí. E todas sobrevivem tranquilamente sem ter um ataque de nervos. Pior, fazem isso por até dez, doze vezes! Tem cabimento?

No mais, estou correndo. Muito trabalho, para deixar tudo organizado na licença-maternidade. Minha mãe ainda não chegou para me ajudar. Meus pés estão parecendo umas patinhas de elefante. Nem o ossinho do tornozelo aparece mais. E eu, entre falta de ar, palpitações e insônia, fico contando os dias.

Assim que eu conseguir relaxar – acho que vou fugir para um retiro esses dias – escreve um texto lindo e emocionante como uma mãe à beira de ir para a maternidade deveria estar escrevendo.

Se o Miguel nascer antes disso, então tudo bem. Aviso a todos e vcs vêm conferir minha felicidade pessoalmente.

Até breve!

|